sábado, 20 de agosto de 2016

Materiais didáticos da Seton


Em nosso diário de atividades no facebook sempre me perguntam qual é esse material didático que usamos e que aparece em nossas fotos. Nossas filhas são matriculadas na escola americana Seton Home Study. Esse material é composto pelos livros didáticos de todas as disciplinas além das avaliações e dos planos de aula. Essa é uma prática comum nos países em que a educação domiciliar é bastante difundida. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem diversas escolas que fornecem acompanhamento escolar. 

Usamos esses livros porque decidimos prover uma educação bilíngue para nossos filhos. Ao empregarmos materiais em língua inglesa encontramos a oportunidade de atingir esse fim trabalhando o idioma de modo multidisciplinar. Além disso, não encontramos em língua portuguesa nenhum material com uma qualidade equivalente e que tenha a apresentação do conteúdo tão perfeitamente coerente com nossa visão de mundo. Ao longo dos anos, percebemos que materiais desenvolvidos especialmente para Homeschooling apresentam uma quantidade de atividades adequada para a modalidade de ensino e facilitam o aprendizado. 


Estamos há dois anos usando esse sistema de trabalho e os resultados foram muito positivos. As notas das crianças nas avaliações superaram muito nossas expectativas, elas tiveram um aprendizado mais profundo do inglês e seguimos confiantes e satisfeitos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Alimentação - dicas de como organizar uma rotina de educação em casa (parte 4)


Alimentação e rotina

Uma rotina harmônica demanda uma boa alimentação. Para conseguir que a criança durma bem é importante que a alimentação tenha sido adequada para suas necessidades físicas e que assim não cause desconfortos que atrapalhem a rotina e a qualidade do sono. 

A alimentação está naturalmente relacionada com a higiene, então ao criar hábitos para uma facilmente se estabelece o lugar da outra dentro da rotina. Por isso, planejamos o momento da refeição associada aos momentos da higiene pessoal. 

Precisamos nos alimentar diversas vezes por dia, por isso é impossível planejar uma rotina sem contemplar a alimentação, então, é interessante que aproveitemos essa necessidade para educar nossos filhos a mesa.



Planejamento prévio:

Os horários de alimentação devem conter os tempos de preparo das refeições, o tempo de deixar a cozinha em ordem, o tempo da compra dos alimentos. Se planejamos mal esses tempos provavelmente vamos ter crianças rabugentas e choronas pela casa e mães estressadas, portanto é importante planejar antecipadamente. 

Uma boa medida para otimizar nosso tempo é selecionar cardápios simples de serem produzidos. Com um cardápio semanal fixo podemos comprar os ingredientes antecipadamente e deixar as coisas encaminhadas antes da hora do estresse. Se limparmos os utensílios na medida em que formos cozinhando, ao terminarmos de preparar a refeição encontraremos uma cozinha limpa.  

Envolva seus filhos na rotina doméstica



É bom evitar o engano de que nossos filhos nos atrapalham quando fazem pequenos trabalhos domésticos. Certamente eles não fazem as coisas tão bem quanto nós, mas "ajuda de criança é pouca, mas quem dispensa é louca!" Podemos incentivar nossos filhos a tirarem seus pratos da mesa e com isso reduziremos a bagunça e estaremos lançando sementes para que futuramente se transformem em adultos capazes de gerir a própria casa e cuidar de si mesmos quando forem chamados a essa responsabilidade. 

Para que participem da rotina doméstica quando forem crescidos precisam aprender a manter a ordem quando pequenos. A infância é a idade de ouro para a aquisição da virtude da ordem. Mais tarde será muito mais difícil. Nossos filhos um dia precisarão cuidar de seus espaços independentemente do estilo de vida que escolham, por isso não nos fazem favor quando devolvem os objetos no lugar em que os encontraram. Fazemos um desserviço a eles quando os poupamos de levar o próprio copo na pia quando terminam de beber.


Nutrição, Temperança e Prudência:


Uma alimentação nutritiva ajuda a prevenir doenças e promove um bem estar generalizado na família. Na hora de escolher o cardápio é bom selecionar receitas tendo em mente que comendo bem estamos ajudando a evitar o desgaste de lidar com as rupturas na rotina causadas pelas doenças. 

Podemos procurar opções saborosas, mas não podemos esquecer que a alimentação tem uma função e que se nos limitarmos a atender aos caprichos de nossos filhos podemos perverter essa finalidade e nos tornar cúmplices da causa de inúmeros problemas que uma alimentação inadequada pode acarretar. 

Porém não podemos esquecer que comemos para viver e não o contrário. Se por um lado a alimentação é fundamental na rotina, não é bom que criemos uma enfase exagerada na bioquimica de nossa vida a ponto de que isso consuma todo o nosso tempo, recursos e energia e que com isso se crie uma desordem. Não precisamos valorizar exageradamente a animalidade deixando que nossos filhos comam apenas o que gostam, nem podemos cair na mesma desordem tratando a alimentação como um fim e esquecendo que ela é um meio. 

Encontramos prazer na alimentação e isso é bom, mas nem sempre isso é saudável. É importante ensinar a temperança e não somente a austeridade. Uma noite da pizza em família é ainda mais saborosa quando foi precedida de vários dias com alimentos menos festivos. 

É na mesa que se aprende os fundamentos do auto domínio. Querer mais um bombom e não ganhar é um treinamento para futuramente ter condições interiores de querer mais um bombom e não pegar por vontade própria. Quem exercita esse tipo de domínio de si é livre para comer ou não comer. Assim será capaz de escolher com liberdade os momentos em que é adequando atender aos apetites e os momentos em que não é. Para esses é preciso usar a força de vontade. Haverão dias em que nossos filhos serão senhores de si mesmos e precisarão ser capazes de regular os prazeres. Quem aprendeu na mesa de casa a se conter terá mais facilidade para escolher com liberdade, quem não aprendeu certamente será menos livre.


Etiqueta é uma ética"zinha":




Quando estamos à mesa em família temos uma oportunidade rica de ensinar nossos filhos a se portarem virtuosamente em sociedade. Podemos ensinar sobre justiça ao convidar nossos filhos a servir uma sobremesa e deixar que os irmãos escolham seus pratos depois de servidos. Podemos ensinar um pouquinho de amor ao próximo estimulando que nossos filhos se sirvam sozinhos e que deixem o melhor pedaço para a próxima pessoa a se servir. Podemos estimular que sentem adequadamente e que comam com bons modos como forma de respeitar as outras pessoas na mesa que não querem ver a comida dentro da boca do irmão.

Alimentação e atividades sensoriais


Envolver nossos filhos no preparo dos alimentos abre oportunidades educativas bastantes ricas. A criança pode participar de todo o processo que cerca a alimentação e assim terá acesso a atividades sensoriais divertidas - cortar alimentos de diversas texturas, tocar em diferentes materiais, manusear diversas ferramentas, sentir o gosto de cada ingrediente nas diversas etapas de cozimento. Além disso, preparar os alimentos é uma forma de ajudar a criança a comer alimentos que não está acostumada, pois quando ela cozinha ela se abre para experimentar aquilo que preparou.

Alimentação e cidadania

Fazer parte do preparo das refeições nos ajuda a ensinar:
1- que os alimentos não aparecem magicamente na nossa mesa. 
2- que o trabalho de outras pessoas impacta a minha subsistência.
3- a perceber a interdependência dentro da comunidade;
4- nossos filhos a servir a coletividade produzindo algo para os outros;
5- a fundamentar a autoestima da criança na capacidade real de realizar pequenas ações como lavar legumes, separar feijões.

Meu filho não come, e agora?

Se meu filho não come devo me perguntar se esse não é um subterfúgio para chamar minha atenção. Estou dando toda a atenção que ele carece? 

É interessante que ações inadequadas não sejam muito valorizadas nem positiva, nem negativamente para que a criança não encontre vantagem no mal comportamento à mesa.

Se meu filho não come e eu fico com pena dele e consinto que ele ganhe lanchinhos entre as refeições, estou claramente premiando o mau comportamento. É preciso que se tenha regras claras e consequências lógicas para cada tipo de atitude. Castigos? Não são necessários quando a criança entende que para cada ação existe uma consequência. Quem não come fica com fome. A próxima refeição provavelmente acontecerá em pouca horas.

Não é preciso desgastar a autoridade numa queda de braço infinita com meu filho na hora da refeição. Ofereça os alimentos rejeitados varias vezes em diferentes situações e o anime a experimentar um pouquinho. 

Preste atenção na sua postura e na dos demais familiares diante do alimento que está sendo oferecido. Se a mãe detesta salada e faz uma cara ruim como quem já espera que a criança não vá gostar, então não se admire de que seu filho cumpra com a expectativa e não goste. Crianças aprendem por imitação. 

Aprender a ser contrariado

É natural que a criança não goste de tudo que experimente. Todos somos mais inclinados a alguns alimentos do que a outros. Porém é importante aprender a se adequar a situação e a não ter a expectativa de que tudo seja sempre focado no interesse egocêntrico. Por isso não é bom que façamos sempre cardápios visando o que a criança gosta. A vida real é cheia de coisas que não gostamos e por isso é muito bom aprender a aceitar que nem tudo me agradará e que preciso aceitar o que não gosto também. Quem aprende isso na mesa de casa e emprega essa lógica em suas relações adultas tem chances de ser um profissional mais fácil de lidar e que consequentemente terá uma chance a mais de se destacar profissionalmente, um conjugue mais fácil de conviver e que terá menos problemas de se adaptar aos desafios da vida familiar.  

Ordem - Dicas para organizar uma rotina de educação em casa (Parte 5)


A ordem enquanto encadeamento de pequenas e grandes ações ao longo do dia é a essência da rotina. Quando regulamos o dia a dia estabilizando primeiro o sono, higiene, alimentação já estamos imprimindo ritmo e ordem aos dias. Com isso, administrar o dia a dia e assegurar que todas as atividades planejadas sejam efetivamente levadas a cabo é muito mais fácil.   

Acomode as Demais Atividades nas janelas dos hábitos básico.

Como as atividades pedagógicas e sociais diferem de família para família, é difícil determinar se o melhor momento para os estudos é pela manhã ou pela tarde, ou qual é o melhor momento para se fazer esportes ou passear. Contudo, certamente depois de estabelecidos esses 4 fatores podemos encaixar na agenda com tranquilidade toda sorte de atividades.


Como manter a casa arrumada tendo crianças por perto:

Um espaço organizado facilita a constância nos hábitos básicos e a manutenção da organização. É mais fácil fazer a higiene se as coisas estão no lugar em que deveriam estar. Depois de tomar banho é preciso exercitar a ordem e colocar os objetos no seu destino correto. Para cumprir com uma rotina de sono é preciso encontrar um quarto arrumado. Perderei tempo e talvez encontre dificuldade para colocar uma criança pequena na cama se passar as "janelas de sono" caso eu precise juntar brinquedos na hora de dormir. É muito difícil cozinhar quando não planejei a compra dos ingredientes ou se a cozinha não estiver previamente limpa. Na contrapartida, atividades pedagógicas pertinentes a ordem são extremamente importantes para o desenvolvimento. Separar objetos por tamanho, categoria, formato e colocar no lugar certo são atividades ótimas para crianças pequenas. Nem sempre é fácil manter um espaço ordenado quando se tem crianças por perto. Por isso algumas dicas podem ajudar:


- Tenha um lugar para cada coisa e ensine seu filho devolver os objetos aos seus lugares;

- Menos é mais: administrar poucos objetos é mais fácil do que administrar muitos, principalmente para crianças. Se não queremos tropeçar em brinquedos pela casa podemos nos perguntar se temos coisas de mais;

- Uma boa iniciativa para evitar que o excesso de brinquedos os leve a não brincar com nada, e para que consigam administrar e guardar seus brinquedos sem grandes dificuldades é fazer rodízio dos brinquedos. Guarde alguns e deixe à disposição da criança apenas alguns poucos;

- Não faça as tarefas de seu filho! É muito importante para desenvolver o senso de responsabilidade que desde pequenos nossos filhos aprendam a cuidar das próprias coisas;

- É bom que eles aprendam que deixar as coisas jogadas é um desrespeito com a família e que ajudar a manter a ordem é um ato de amor. Aprendendo a respeitar a ordem as crianças se sentem valorizadas por serem uma parte essencial e do ambiente que respeitam. Por isso, não junte os brinquedos do seu filho.

- Não tenha medo de dar pequenos encargos proporcionais ao tamanho e idade das crianças na rotina doméstica. É evidente que a criança não vai fazer a faxina da casa, mas é muito importante para que o indivíduo possa amadurecer e se tornar um adulto capaz de cuidar de si mesmo, dos outros e de seu ambiente, que se fomente desde cedo a ideia de pertencimento e responsabilidade por seu espaço. Pequenos serviços como ajudar a colocar a mesa para uma refeição, arrumar a própria cama, jogar o lixo no lixo são medidas verdadeiramente educativas.

- Procure ter somente os objetos que são necessários, não acumule supérfluos, assim manter uma casa organizada fica muito mais fácil.

- Planeje um momento diário para limpeza e não ultrapasse o tempo planejado, pois o serviço doméstico nunca termina.

- Conheça o método Flylady.

Sono - Dicas para organizar uma rotina de educação em casa - Parte 3

Em uma rotina de uma criança educada em casa os hábitos básicos -sono, higiene, alimentação e ordem- são uma escola de amor ao próximo, de cidadania, e de habilidades que exigem o desenvolvimento de competências intelectuais, físicas e sociais.



A importância do sono:

O sono é um elemento muito importante na rotina. Não teremos muito sucesso intelectual ou comportamental com uma criança cansada ou hiper estimulada pelo sono. É preciso dormir bem para se estar descansado, tranquilo e concentrado. Por isso é necessário ter um horário para o sono, e é fundamental descansar uma quantidade suficiente de horas. Catherine L´Ecuyer no livro Educar en el Asombro aponta o respeito pelo ritmo natural de aprendizado e de desenvolvimento infantil como o melhor estimulador para o cérebro. A neurocientista explica que existem inúmeros malefícios causados às criança que não dormem uma quantidade suficiente de horas, que são intensamente expostas a televisão e a excessos de estímulos. Ela observa que muitas famílias esperam que o filho acompanhe o ritmo de vida do adulto moderno e que essa é uma fonte de desrespeito com a biologia da criança. Portanto, educando em casa podemos facilmente adequar nossa rotina a um ritmo humanizado. É preciso que respeitemos nossos corpos em suas necessidades intrínsecas e em sua dignidade fundamental.  

O que não fazer antes de dormir

A rotina de dormir é muito importante para se assegurar o bom andamento dos dias. Para a aquisição desse hábito é bom que o dia tenha ocorrido respeitando o organismo da criança para que ela tenha condições físicas de dormir. Para isso, podemos evitar alimentos estimulantes e aparelhos eletrônicos nas horas que antecedem o sono. A diminuição da quantidade de estímulos ajuda a acalmar o ambiente. Em se tratando de tecnologias podemos primar sempre pelo "meno é mais". 

O que é bom fazer antes de dormir

A hora de dormir tem o seu encadeamento facilitado quando existe uma sequência de ações que sejam previsíveis. A rotina é sempre benéfica. Pequenos rituais auxiliam a tranquilizar o momento para adormecer. Colocar o pijama, escovar os dentes, diminuir as luzes, ouvir uma história calma em tom de voz baixo, orações, música tranquila ou silêncio. Fazer sempre as mesmas coisas na mesma sequência facilita o processo.



Se meu filho tem medo?


É interessante lembrar que as crianças não percebem o mundo do mesmo modo que nós. Coisas banais podem verdadeiramente ter um aspecto assustador para elas. É importante que aprendamos a ouvir e respeitar os anseios de nossos filhos. Medo do escuro? Podemos ter uma luz fraquinha ligada na tomada. Medo de ficar sozinho? Porque não considerar a hipótese de ficar um pouco no quarto. A ansiedade dificulta muito a chegada do sono, por isso gritos, ameaças ou "deixar que chore" podem atrapalhar o processo não apenas em um dia, mas criar o hábito da ansiedade na hora de dormir. Pode parecer que nunca dormiremos uma noite completa novamente. Mas quanto tempo dura a primeira infância de nossos filhos? Um pouco de paciência na hora de implementar uma rotina de dormir pode fazer uma grande diferença no andamento dos seus dias e na vida de seu filho. 

Aprender a controlar a si mesmo

Para pegar no sono é preciso aprender a se acalmar, relaxar e se deixar adormecer. É comum ouvirmos as mães dizerem " vou fazer meu filho dormir". Porém, adormecer é um processo que acontece na criança. Portanto o adulto não faz a criança dormir, mas pode promover a diminuição da ansiedade e o relaxamento necessário para a chegada do sono. Mais do que isso, precisamos ensinar nossos filhos a fazerem esse processo sozinhos. Existem modos mais agressivos e mais brandos de se fazer isso - a quantidade de livros escritos sobre esse assunto nos permite perceber que essa é uma questão que tira o sono dos pais. 

É fato que precisamos ensinar o domínio próprio para nossos filhos. Mas muito antes de serem capazes de dominarem a si mesmos eles precisam ser brandamente conduzidos pelos adultos que os amam. Nesse sentido, um relacionamento baseado na confiança de que se a mãe diz que estará ali do lado ela certamente estará, e num treinamento constante de obediência, favorece que a criança aceite as sugestões de como dominar o próprio corpo para alçar a tranquilidade necessária para relaxar e adormecer. Se meu filho aceitar ficar quieto na cama provavelmente adormecerá. 

Doar a si mesmo


É muito irritante para a família que tem uma rotina agitada se debater com a criança que não dorme e que com isso rouba horas preciosas do sono dos pais. O fato de não dormir é uma forma de comunicação. A criança quer estar com a mãe e com o pai. De tudo o que podemos dar aos nossos filhos dar a nós mesmos é o melhor dos presentes. Se nossos filhos estão demandando muito de nós na hora de dormir talvez devamos nos perguntar se estão ganhando nossa atenção em quantidade suficiente ao longo do dia, se nosso estilo de vida respeita as necessidades da infância, e, principalmente, se uma atenção branda e amorosa nesse momento não é um bom modo de cultivar o vínculo mais importante na infância que é com os pais.  

A Importância de Educar no Assombro e na Realidade

O artigo "La importancia de educar en el asombro y en la realidad" escrito pela neurocientista  autora dos livros Educar en el asombro e Educar en la realidad explicita que na educação de crianças o vínculo afetivo com o educador é um elemento fundamental para o bom desenvolvimento. Disso, podemos concluir que a atuação dos pais como principais educadores favorece o desenvolvimento intelectual dos filhos. Portanto é muito conveniente que assumam o papel de professores. Talvez disso derive os inúmeros sucessos acadêmicos das crianças educadas em casa. Segue uma tradução livre do artigo:   


A Importância de Educar no Assombro e na Realidade:

"Agora vamos fazer um registro. Nós vamos pintar um coelho que vive em uma fazenda. Então vamos ver algumas letras no tablet. E, em seguida, vamos ouvir uma gravação em Inglês. E, finalmente, eu vou explicar por que precisam ser generosos. " O que acontece com uma criança de 4 anos de idade em uma classe como esta? Como as crianças aprendem? Será que eles aprendem através de chips, displays e discursos?

As crianças nascem com um assombro diante do mundo. Esse deslumbramento ou assombro é "não dar o mundo por suposto". Tomás de Aquino disse que o assombro é "o desejo de conhecer". O que assombra? A beleza da realidade. As crianças precisam de realidade para aprender, porque o cérebro humano é feito para aprender na realidade. As crianças, por exemplo, precisam de experiências sensoriais concretas para entender o mundo e para compreenderem-se a si mesmos. De fato, estudos recentes em neurociência confirmam que a memória semântica (de conhecimentos conceituais) e a memória biográfica (de acontecimentos vividos pelas experiências concretas) ainda não são diferenciadas na infância. Estas duas memórias, gradualmente, ao longo da adolescência diferenciam-se. Isso indica que as crianças não aprendem as coisas através de palestras, fichas ou telas, mas precisam de experiências reais e relações interpessoais diretas.

Crianças precisam tocar o coelho, e não pintá-lo em um caderno. Eles precisam ver e sentir o cheiro da fazenda, não ouvir sobre isso. Para internalizar generosidade, eles precisam ver a beleza desta virtude em ação, não ouvir discursos sobre o assunto. Para aprender uma língua, precisam ouvir falar uma pessoa de carne e osso e que os quer bem (seu cuidador primário). Por exemplo, estudos confirmam que as crianças não aprendem línguas nem com CD nem com DVD, e até mesmo os meios de comunicação podem contribuir para a redução do vocabulário em crianças pequenas. Estudos sobre Video Deficit Effect confirmam que há um déficit de aprendizagem quando uma criança aprende através da tela em vez de "ao vivo". E assim, se dizemos para uma criança parar de gritar, mas fazemos isso gritando, pode ocorrer o efeito oposto. Sussurrando conseguiríamos obter mais resultados.

Crianças triangulam entre a realidade e a pessoa que assume o papel de mediador entre eles e a realidade. Em casa, os mediadores são os pais, enquanto na sala de aula é o professor. Qual é a primeira coisa que uma criança faz quando encontra um caracol no pátio da escola? "Olhe!" Ele vai correndo para seu professor dizendo. Como disse Rachel Carson, "para manter vivo o senso inato de admiração em uma criança, é necessária a companhia de pelo menos um adulto que possa compartilhá-lo". Se o professor se assusta com o caracol, a criança vai fazer o mesmo e o jogará ao chão. Se o professor aprova, a criança vai começar a brincar com o molusco sem medo. Por isso disse Madre Teresa de Calcutá "não se preocupe se seus filhos não escutam, eles te observam todo o dia." Crianças medem a realidade através dos nossos olhos, e se alinham. 

Qual é o pilar que fundamenta o triângulo entre a criança e a realidade? É o vínculo de apego. Por esta razão, é importante que cada criança possa desenvolver uma ligação segura com o seu educador. Essa ligação transforma o educador em uma base de exploração segura para que a criança possa se lançar ao aprendizado, movido pelo assombro. O apego seguro é um vínculo de confiança que resulta de se ter atendido prontamente as necessidades básicas da criança. Como um professor pode atender prontamente as necessidades básicas de cada criança em uma classe de 15 ou 20 crianças? Boa pergunta, talvez pudéssemos fazer essa pergunta para a pessoa na educação infantil.

Em suma, o papel do professor é triplo. Em primeiro lugar é perceber as necessidades da criança através da sensibilidade. Em segundo lugar, calibrar a realidade para a criança. Em terceiro lugar, acompanhar a criança calmamente na sua exploração. Nenhuma destas tarefas pode ser realizada por uma tela, por isso tanto a sensibilidade para  "calibrar a realidade", quanto o acompanhamento discreto são atos profundamente humanos que não podem ser feitos por um dispositivo ou por aplicação de um algoritmo por mais perfeito que seja.

Em conclusão, em um mundo educativo cada vez mais "digitalizado", é preciso lembrar que o papel do professor tem muito mais transcendência do que imaginamos. Não somente porque o professor é quem da base para a realidade, mas também porque transmite aos seus alunos as atitudes que vivencia com sua vida. Porque a beleza que assombra só é transmitida por meio da beleza. É necessário que os professores percebam o impacto que eles têm e terão, não só em toda uma geração de crianças, mas também no futuro da humanidade, porque, como Kundera disse: "As crianças não são o futuro porque um dia serão mais velhas, mas porque a humanidade vai parecer cada vez mais com a criança, porque a criança é a imagem do futuro ".

domingo, 7 de agosto de 2016

Higiene - Dicas para organizar uma rotina de educação em casa – parte 2


Higiene e dignidade humana:
A importância da higiene não se restringe à manutenção da saúde, ela também é importante pois trata  da apresentação e dos cuidados com nosso corpo. Cada um de nós é filho ou filha de Deus e o cuidado com a aparência faz parte do reconhecimento da própria dignidade. "o corpo informado pela alma espiritual, é importante, e destinado à ressurreição gloriosa". (Mons. Javier Echevarria). Precisamos aprender a cuidar de nós mesmos e isso demanda que aprendamos a manter nossos corpos e nossos espaços limpos. Esse zelo será no futuro símbolo da consciência reta que não mistura o que puro com a sujeira das maldades.

Importância da Higiene para estabelecer uma rotina:

Os hábitos de higiene são repetitivos: todos os dias precisamos tomar banho, temos de lavar as mãos antes de todas as refeições. Por isso, estabelecer rotinas para essas ações dá aos dias um ritmo que pode ser o primeiro motor de uma sequência de atividades do cotidiano. A criança deve internalizar que ao acordar precisará escovar os dentes, lavar o rosto, trocar de roupa, arrumar a cama. Ou seja, essas ações vão se tornam um pano de fundo sobre o qual se desenrolarão os outros andares da instrução formal. Mas para isso devemos focar na aquisição dos hábitos básicos.

Higiene e desenvolvimento cognitivo:

Maria Montessori observou benefícios em a criança aprender desde pequena a manusear ferramentas de uso cotidiano, em aprender a transferir líquidos, aprender a limpar o chão. Podemos perceber que ensinar a higiene pessoal e a manter o espaço ao meu entorno limpo e ordenado são medidas importante para uma educação cósmica. Além disso, o treinamento de cada uma dessas atividades leva ao desenvolvimento de uma série de habilidades cognitivas e motoras.

Dentro da perspectiva montessoriana se investe pedagogicamente tempo no treinamento dos cuidados pessoais e da limpeza do ambiente como atividades escolares. Uma vez que a casa também é espaço de aprendizagem, a higiene pessoal é uma fonte de inúmeras atividades.

Para tanto precisamos primeiro dar condições materiais para que as crianças sejam independentes, ensinando o passo a passo de cada atividade e deixando os objetos ao alcance delas. Uma atividade simples como larvar as mãos demanda que se possibilite o acesso da criança à torneira, que se ensine como abri-la e fecha-la, como secar as mãos, como devolver os objetos ao seu lugar próprio, como manter o lugar limpo e ordenado quando terminar. 

A higiene nos acompanha ao longo de todo o dia. Se ensinamos como realizar cada tarefa pertinente a higiene passo a passo e inserimos essas ações no nosso plano de rotina para que se tornem hábitos, estaremos concomitantemente assegurando a manutenção da organização dos espaços, assegurando um significativo aspecto do bem estar físico da criança que desfruta do prazer de estar limpa. 

Higiene e cidadania:

Nesse sentido, o asseio é um modo de respeitar as outras pessoas que partilham da minha companhia e do meu espaço, por isso o cultivo da higiene no lar é uma medida que permite a criança perceber a si mesma como agente do bem estar dos outros.

3 Dicas para organizar uma rotina para ensinar em casa – parte 1 (tenha uma rotina)


Na era da informação e dos múltiplos estímulos a palavra rotina nem sempre é bem vista. Todos ansiamos pelo novo e pensamos encontrar aprendizado em novas e intensas experiências. Para a criança educada em casa a sala de aula é o mundo inteiro. 


Porem, para desfrutar das possibilidades dos novos espaços e novos estímulos precisamos antes extrair o ouro da simplicidade do dia a dia. A vida natural é terreno novo e as vezes desconhecido para a criança. Nele ela pode extrair grandes aventuras pois o corriqueiro ainda apresenta desafios e encantamento.

Na cadência monótona das pequenas coisas do ambiente doméstico ela encontrará aprendizados e organicamente se tornará senhora de si, do seu entorno, das relações sociais. Erramos se nos afobamos ao pensar que é necessário muito movimento para ensinar as coisas. Precisamos dar uma base sólida de mundo real para que sobre essa base possa se instalar níveis mais altos de cultura.

Portanto, um fator muito importante para o bom andamento da educação domiciliar é uma rotina estruturada. Muitos frutos advém da constância. Crianças gostam de repetição pois isto as deixa seguras. Então uma boa forma de obter tranquilidade é proporcionar uma vida com uma carga grande de previsibilidade. Então é útil que os primeiros passos para ordenar uma rotina sejam estabilizar os hábitos básicos dos membros da família e estabelecer claramente todas as atividades da família tendo o cuidado de planejar entre cada coisa um encadeamento que seja factível e harmônico. Embora a rotina familiar sempre apresente imprevistos e exija uma certa flexibilidade, é bom que não se viva na base do improviso.

Dicas:
1 - Seja Flexível

Construir uma boa rotina leva tempo. Planejamos e replanejamos muitas vezes até que tudo se acomode e encontremos harmonia em nossos dias quando ficamos plenamente adaptados às tarefas e aos seus tempos, por isso tenha paciência quando o planejamento não funcionar. 

Procure avaliar friamente o que deu errado e o porquê. Então imediatamente e sem melindres ajuste seus planos a sua realidade. Observe se planejou mal o tempo para que as atividades sejam realizadas, se escolheu um momento inadequado para sua feitura, se não tinha reunido todos os materiais. 

2- Procure experiências de famílias parecidas com a sua:

Conforme as crianças crescem, conforme novas crianças vão chegando na família ou conforme as estações do ano mudam, a rotina vai exigindo adaptações. Por isso não é possível transferir a rotina de uma família para outra. Porém, sempre encontramos boas ideias quando buscamos a experiência de quem já viveu o que estamos vivendo. Nas rotinas das famílias americanas encontrei inspiração e soluções criativas.

3-Hábitos básicos:

Para organizar uma rotina com seus filhos é bom que se tenha em mente os 4 hábitos fundamentais: sono, higiene, alimentação e ordem. Sempre lembrando que essas 4 realidades são interdependentes. Se a criança não se alimentar bem, pode não dormir bem.
Dentro de uma rotina homeschooler os hábitos básicos são uma escola de amor ao próximo, de cidadania, e de habilidades que exigem o desenvolvimento de competências intelectuais, físicas e sociais. 


Viste como levantaram aquele edifício de grandeza imponente? - Um tijolo, e outro. Milhares. Mas, um a um. - E sacos de cimento, um a um. E blocos de pedra, que são bem pouco ante a mole do conjunto. - E pedaços de ferro. - E operários trabalhando, dia após dia, as mesmas horas... Viste como levantaram aquele edifício de grandeza imponente?... À força de pequenas coisas!
 São Josémaria Escrivá